Plano de ação

Ponto de partida:

No meu Agrupamento a BE tem lutado para que a leitura seja assumida como uma das suas grandes prioridades. Uma comunidade envolvente em que os livros e a leitura não fazem parte do dia-a-dia, mas são encarados como exclusivo do ambiente escolar, em que a taxa de escolarização é baixa, não ultrapassando em grande parte dos casos o 6 º ano, exige da escola uma atitude interventiva na criação de hábitos de leitura. A BE terá aqui uma função catalisadora da mudança. A utilização de todas as ferramentas tecnológicas que possam contribuir para este grande objetivo, surge assim como uma verdadeira necessidade. É neste contexto que se apresenta este plano de acção.

1. Atualização permanente do blogue da biblioteca. Incluir:

• Top de leituras.
– Alunos que mais requisitaram livros.
– Turmas que mais requisitaram livros.
– Livros mais requisitados.

• Propostas de leitura com comentários a livros elaborados por professores, alunos e funcionários.

2. Atualiação permanente do facebook da biblioteca. Incluir:

• Top de leituras (alunos e turmas que mais requisitaram livros).

• Verney a ler.

No presente ano letivo foi construído um painel no corredor da biblioteca, onde são colocadas as capas de todos os livros lidos pela comunidade escolar e a indicação do nome dos leitores. São contabilizados os livros requisitados na biblioteca, mas também os livros lidos em casa e sem qualquer relação com a escola. Este painel tem sido seguido com muito interesse pelos alunos que vêm participar à biblioteca cada livro que lêem.
Partindo do sucesso que este painel tem tido, seria muito interessante transpor o seu conteúdo para formato digital, integrando-o no facebook da biblioteca e levando a um aprofundamento dos seus objetivos. Será assim colocada no facebook uma indicação do livro lido (capa, nome e comentário do leitor, quando existente), desafiando cada “amigo” a interagir com os leitores e com toda a comunidade através de comentários ou de “likes”. Este painel virtual terá um impacto mais alargado do que o físico, extravasando a própria comunidade escolar e permitindo uma maior participação e partilha de opiniões que ultrapassam a simples visualização do painel no espaço da escola .

3. O livro do mês:

A biblioteca produzirá mensalmente um pequeno vídeo de apresentação de um livro. Este vídeo poderá ser editado recorrendo ao photo story ou ao movie maker, utilizando o audacity para a gravação do som. Seguidamente, será utilizado o youtube para partilhar o vídeo que será colocado no facebook. Este será o ponto de partida para um diálogo sobre o livro em causa. O blogue da biblioteca poderá ser igualmente utilizado como plataforma de difusão dos livros selecionados. No entanto, o facebook suscita uma participação mais direta e imediata por parte dos alunos. Acresce ainda que as crianças e adolescentes associam os blogues ao trabalho escolar (sendo usual existirem blogues de determinadas disciplinas ou turmas) e o facebook é utilizado diariamente por todos em contextos informais. Desta forma, a biblioteca não espera pelos seus utilizadores, mas interpela-os no seu dia-a-dia.

Anúncios

Reflexão final

Terminadas as 30 horas de trabalho (que na realidade foram mais), o que mudou realmente? Que competências foram desenvolvidas? Qual a incidência desta formação na nossa prática?

Penso que todos nós já utilizávamos algumas das ferramentas da web2.0, a medo e a título de experiência. A primeira grande mudança que resultou desta formação situou-se ao nível da atitude. Experimentar, procurar novos caminhos tecnológicos, utilizar novas ferramentas que contribuam para atingir os objetivos definidos. Aproximarmo-nos da atitude desenvolta dos nativos digitais, mas com um sentido crítico e atitude reflexiva acrescidos. A obrigatoriedade de utilizar caminhos que para nós eram novidades, tirou-nos da nossa zona de conforto, mas cada etapa ultrapassada demonstrava que, afinal, também eramos capazes de criar documentos em programas ou formatos desconhecidos ou estabelecer ligações que pensávamos ser exclusivo dos informáticos.

A participação e a partilha são características da web2.0 e as bibliotecas escolares podem e devem incrementar a participação dos alunos e da própria biblioteca que passa a produzir conteúdos que são disponibilizados na rede, passando a integrá-la. Esta formação contribuiu para que cada um de nós seja competente para estabelecer relações entre a biblioteca e o utilizador e entre os utilizadores entre si, criando uma rede em que todos são simultaneamente emissores e recetores, desenvolvendo e partilhando uma inteligência coletiva. Neste sentido, por exemplo, a produção de pequenos vídeos (pela BE ou por alunos) e a utilização de canais como o youtube que proporcionam a partilha são instrumentos de grande utilidade.

Agora, passadas as 30 horas, olhamos com maior confiança as novidades tecnológicas, conseguimos avaliar o seu potencial e valor para a BE e mergulhamos na experimentação.

No início foi assim

Comentário ao texto A Web 2.0 e a BE 2.0

O texto em análise sistematiza as grandes diferenças entre as bibliotecas 1.0 e as bibliotecas 2.0. O autor responde a duas grandes questões:
– O que trouxe de novo a web 2.0?
– Que mudanças se operam nas bibliotecas com a web 2.0?
Em relação à primeira interrogação, a web 2.0 é retratada como uma plataforma em que se constroem comunidades de utilizadores com interesses comuns. Mas a grande novidade deste avanço tecnológico ultrapassa em muito essa componente e corresponde a um alargamento da rede que passa a integrar os contributos de cada utilizador. Sobre este assunto Zélia Silva defende que a Web 2.0 está “assente em dois princípios fundamentais: o princípio da arquitetura de participação, segundo o qual a construção da Web está baseada na participação activa de um grande número de utilizadores, eles próprios envolvidos na gestão dos conteúdos; e o princípio da inteligência colectiva, isto é, o conhecimento de cada um dos indivíduos constitui um elemento que ao ser partilhado resulta num conhecimento colectivo do qual todos os participantes beneficiam” (2011: 16). O texto em análise é igualmente bem explícito neste domínio, ao referir-se à web 2.0 como uma inteligência coletiva em que os utilizadores acrescentam valor à rede, adicionando conteúdos que passam a integrar a sua estrutura. Na realidade, numa sociedade do conhecimento, conceito mais abrangente do que sociedade da informação, a tónica coloca-se não apenas no acesso à informação, mas também na forma como cada um consegue processar essa informação, convertendo-a em conhecimento e nova informação disponível (Hargreaves, 2003 citado por Duarte, 2006). Na base da Web 2.0 está a participação dos utilizadores que criam conteúdos e os avaliam. M Farkas (2008) defende mesmo que com a web 1.0 se democratizou o acesso à informação e que com a web 2.0 se democratizou a participação.
O texto em análise enuncia as características das bibliotecas 2.0:
– estão centradas no utilizador;
– disponibilizam experiências multimédia;
– são socialmente ricas;
– são inovadoras ao serviço da comunidade.
Para responder à segunda interrogação e partindo deste enunciado, centramos no utilizador as alterações ocorridas nas bibliotecas. Este, nas bibliotecas escolares, é fundamentalmente o aluno, que deixa de ser um recetor passivo para ter uma posição central na construção da sua própria aprendizagem. Os papéis tradicionais de aluno e professor foram alterados, o processo de ensino-aprendizagem, que se centrava no professor e no ensino, baseia-se agora, cada vez mais, numa conceção de aluno construtor do seu próprio conhecimento. Os objectivos da aprendizagem atingem-se agora com o envolvimento dos alunos, tendencialmente expostos a uma multiplicidade de recursos que deverão implicar o desenvolvimento de competências como o sentido crítico e a autonomia na construção da aprendizagem (adaptada às suas características). As ferramentas da web 2.0 tornam o aluno mais autónomo e interventivo.
Nesta nova conceção de aprendizagem que extravasa a sala de aula e a própria biblioteca física, as bibliotecas escolares vão utilizar as novas tecnologias de informação e comunicação, nomeadamente as ferramentas da WEB 2.0 para proporcionar o estabelecimento de relações entre a biblioteca e o utilizador e entre os utilizadores, criando uma rede em que todos são simultaneamente emissores e receptores. A BE será assim uma plataforma de acesso à informação, que já não é apenas a biblioteca “física”, mas o interface que permite múltiplas ligações ao mundo pela componente virtual e em rede dos seus recursos. Segundo o texto em análise, a BE já não pretende apenas criar repositórios de informação, mas sim desenvolver nos seus utilizadores as literacias necessárias, operacionais e principalmente críticas. Neste sentido será assim essencial que a BE combata a forma acrítica e passiva como grande parte dos alunos consome a informação e utiliza as ferramentas disponíveis. Os professores e especialmente os PB terão especial responsabilidade no desenvolvimento do espírito crítico essencial à construção do conhecimento numa sociedade em rede onde a informação, não validada por critérios editoriais, se encontra facilmente acessível.
Perante esta nova realidade, em que as mudanças e inovações são uma constante, a par da necessidade das infraestruturas tecnológicas, os professores bibliotecários terão que desenvolver novas competências. Para um trabalho de qualidade, o professor bibliotecário deverá estar preparado para trabalhar em rede e para fomentar novos serviços baseados nas ferramentas e tecnologias de informação que vão surgindo, estar disponível para aprender e contar com o utilizador, agora interventivo e já não passivo, como no passado, como motor e participante ativo da organização (Silva, 2011:13).
Bibliotecas escolares e professores bibliotecários têm um longo caminho pela frente, esforço de atualização permanente e uma atitude de abertura face às inovações que não são apenas tecnológicas, mas que representam um novo paradigma na construção do conhecimento.

Referências bibliográficas:

Duarte, Jacquelina Laureano Duarte (2006). As práticas de leitura e a biblioteca escolar. Para um projecto educativo integrado. Dissertação de mestrado,Universidade de Lisboa. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Lisboa: [s.n.].

Farkas, M. (2008). Apresentação. Acedido em 9 de novembro em

Silva, Zélia (2011). A Web 2.0 nas Bibliotecas Escolares. Dissertação de
Mestrado. Universidade Aberta. Disponível em
http://hdl.handle.net/10400.2/2102 (19/02/2012)

A Web 2.0 e a biblioteca 2.0. Acedido em 7 de novembro de 2012 em
http://forumbibliotecas.rbe.min- edu.pt/file.php/289/Sessao01_TextoLeitura_Web2.0_BE2.0.pdf

Forum de descoberta – 5

Começo por confessar que tenho tido sempre muitas reservas em relação ao facebook, encontrando no seu uso mais desvantagens do que vantagens. No entanto, no presente ano letivo resolvi criar o facebook da biblioteca, mas ainda não tenho uma opinião totalmente formada. Tenho sempre algumas hesitações em relação aos materiais, quais os que coloco no blogue da biblioteca e quais os que coloco no facebook. O facebook é mais direto, chega mais rapidamente aos alunos, exige mensagens mais curtas; o blogue é uma montra da biblioteca; o facebook é mais interativo, a partilha é imediata e desperta maior atenção aos alunos que praticamente ignoram o blogue. Ambos exigem muito tempo, que escasseia atualmente. De qualquer forma já ganhei o hábito de passar pelo facebook da biblioteca (eu não tenho nenhum meu) diariamente (mais uma tarefa a acrescentar às que já temos), pois ele necessita de um acompanhamento permanente. Quando não temos a equipa que partilhe estas tarefas, o blogue e o facebook significam mais horas de trabalho em casa.

Forum de descoberta – 3

Sou uma grande adepta do Google docs. Como já disse, utilizei este recurso no ano letivo passado e gostei imenso. É duma grande simplicidade, permite que se realizem trabalhos de grupo com pessoas em locais distantes, produzindo e corrigindo em tempo real os textos. Realizei um trabalho através desta ferramenta, com os meus colegas de grupo espalhados pelo país. Pareceu-me mais fácil de trabalhar do que as wikis. Aconselho a todos os que ainda não experimentaram e que necessitem de produzir qualquer texto em conjunto a fazerem-no e incentivar os alunos a explorar este recurso, que pode ser muito útil para os trabalhos de grupo, principalmente dos alunos do 3º ciclo e do secundário.

Forum de descoberta – 1

Os catálogos coletivos são um mundo com possibilidades quase que ilimitadas. Tenho utilizado com muita frequência o da BLX, mas também o SIBUL (Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de Lisboa) que já disponibiliza uma biblioteca digital de livre acesso e considero que está muito bem feito.

http://ulisses.sibul.ul.pt/ulisses/portal/html/index.htm

Os repositórios das universidades são igualmente muito úteis, embora não sejam catálogos coletivos, constituem-se como verdadeiras bibliotecas digitais. Tenho utilizado regularmente o da Universidade Aberta que disponibiliza on-line todas as teses e textos científicos produzidos na Universidade.

http://www.rcaap.pt/directory.jsp?locale=pt

De âmbito mais alargado, é o RCAAP (Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal),onde encontramos grande parte do que se tem produzido nas universidades portuguesas.

http://www.rcaap.pt/directory.jsp?locale=pt

Forum de descoberta – 2

Estive a explorar o Flickr, ferramenta que eu ainda não conhecia. Coloquei algumas fotos das comemorações do Centenário da República que a BE da minha escola organizou em 2010 no blogue. Tem possibilidades.